Documentação como ativo técnico: o que vale escrever e o que é desperdício
Documentação ruim é pior do que nenhuma documentação — induz a erro. Documentação boa é multiplicador de velocidade. A diferença está em documentar o "por quê", não o "o quê".
Por que documentação técnica falha
A documentação técnica mais comum descreve o que o sistema faz — o que o código já descreve. O que o código não descreve é por que uma decisão foi tomada, quais alternativas foram consideradas e por que foram descartadas. Essa é a informação que tem valor real — especialmente 18 meses depois, quando o engenheiro que tomou a decisão já não está mais na empresa.
O que documentar (e o que não documentar)
- Documente: Architecture Decision Records (ADRs), runbooks de incidente, guia de configuração de ambiente, glossário de termos de domínio.
- Não documente: o que o código expressa claramente, APIs que mudam frequentemente (use OpenAPI gerado automaticamente), processos que ninguém segue na prática.
Architecture Decision Records: o formato que escala
Um ADR é um documento curto (menos de 1 página) que registra: o contexto da decisão, as opções consideradas, a decisão tomada e as consequências esperadas. Quando há 50 ADRs no repositório, qualquer engenheiro consegue entender a evolução do sistema em 2 horas de leitura.
Documentação como parte do processo de entrega
Documentação que não é parte do processo de entrega não é atualizada. O único jeito de manter documentação relevante é incluir "documentação atualizada" na definição de "feito" de cada feature — e fazer code review de documentação junto com o código.
Próximo passo
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